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José Vítor Malheiros

“O Jornalismo está a ser expulso dos jornais. É uma espécie em risco de extinção.”

  • Nome: José Vítor Malheiros
  • Idade: 49 anos
  • Profissão dos pais: Pai: Quadro numa Empresa Multinacional; Mãe: Doméstica [ambos falecidos].
  • Habilitações Académicas: Frequência do curso de Engenharia Electrotécnica no Instituto Superior Técnico, em Lisboa.
  • Casado, dois filhos.
  • Estatuto Profissional:
  • Data e local da entrevista: Redacção do Público.pt, a 5 de Setembro de 2006.
José Vítor Malheiros interessou-se por este estudo ao primeiro contacto do Perfil Sociológico do Jornalista Português. O método discursivo que adoptou na sala de reuniões do Público.pt (próximo da palestra) foi a fórmula que entendeu mais adequada para testemunhar, sem maiores preocupações ou reservas perante uma entrevistadora desconhecida, as suas inquietações do momento. [“Tenho uma costela racionalista”]. A postura, disponível e franca, era a de um director que, a bem da ciência, pretendia mostrar a forma como o mercado das notícias está a ameaçar o jornalismo contemporâneo [“Os accionistas e os gestores têm vistas muito curtas e demasiada pressa na rentabilidade das empresas”] . A vontade manifesta de ingerência no jornal de gestores e marketeers em matérias editoriais seria, naquele momento,  o maior incómodo para o sócio-fundador do diário Público, publicação de referência do grupo Sonae a atravessar sérias dificuldades financeiras [“As organizações noticiosas estão a ser sub-lideradas e sobre-geridas. O jornalismo deve ser sustentável, mas a interferência da rentabilidade em matéria editorial é abusiva”]. A preocupação mantém-se ao confrontar-se com os interesses actuais dos clientes da Imprensa [A palavra “cidadão” é irrelevante para os neo-liberais e os leitores também não valorizam o meu produto”].
Aos jornalistas dos anos 1980, os verdadeiros defensores da causa pública e de apurado sentido ético, seguem-se os operários profissionalizados das redacções do século XXI que, segundo Malheiros, se deixam submeter a lógicas de baixo custo e tempos mínimos de execução laboral [‘A classe dos jornalistas tornou-se proletária, em degradação evidente. O jornalismo de pensamento, independente e crítico, está a ser expulso dos jornais”].
Nos últimos vinte anos, apesar da graça que também encontra nos novos media e seus gadgets, mantém-se atento aos ganhos e perdas das transições tecnológicas [‘Vivemos numa sociedade que endeusa a rapidez, a velocidade, quando aquilo que me distingue como jornalista é o meu ethos, as minhas emoções e a minha filosofia, não as técnicas que uso’]. Se necessário, aceita travar sozinho os avanços do ‘império da rentabilidade’ no jornalismo. [‘Sou um liberal de esquerda. A minha marca política é não estar com ninguém. Estou só em todo o lado’]. Escutem-se, na primeira pessoa, as lutas do jornalista-director.

Sara Meireles