Pesquisar no site

 

José Mussuaili

Estou-me a preparar para sair de Portugal; vou passar de jornalista a produtor de televisão

  • Nome: José Mussuaili
  • Idade: 39 anos (14 de Abril de 1968).
  • Sexo: masculino
  • Habilitações académicas: Frequência da licenciatura em História da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Curso de Rádio (Cenjor), outros cursos de formação/especialização profissional.
  • Órgão de comunicação social em que trabalha: Comunicasom – Produção em Multimédia, Lda. (apresentador do programa “Etnias”, transmitido pela SIC) e Caras Angola (colaborador desde 2004) (actualização).
  • Órgãos de comunicação social em que trabalhou: Rádio Margem Sul, Rádio Corridinho, Rádio Comercial da Linha, Rádio A Voz de Almada, TVI e Euronews (França) (jornalista).
  • Data em que se iniciou na profissão: 1988
  • Estatuto profissional: Jornalista sénior. Redactor da revista Caras Angola, produtor e apresentador de televisão.
  • Profissão do pai (já falecido): Torneiro mecânico.
  • Profissão da mãe: Doméstica (reformada).
  • Local: Bar 47, na zona dos Restauradores, em Lisboa.
  • Data da entrevista: 07 de Março de 2007

Ler mais:

http://www.linkedin.com/pub/jose-mussuaili/5/7a3/1b0

A José Mussuaili poderá ser atribuído o estatuto de “o jornalista mais informal”, ou “o jornalista certo, no lugar próprio, na hora exacta”. E também, “o optimista-realista” e “o jornalista empresário”.

A entrevista decorre no dia em que a RTP celebra 50 anos (com uma Gala no Coliseu dos Recreios, próximo do local da entrevista), um mês depois do primeiro contacto telefónico, em que logo o jornalista se disponibilizou, e alguns dias depois do seu regresso de uma viagem a Moçambique. Durante essa estadia, o ciclone "Favio" atingiu a zona centro moçambicana. Os noticiários portugueses transmitiram a ideia de catástrofe.

«Não, Moçambique está óptimo!», assegura José Mussuaili, que planeia investir numa produtora de televisão naquele país, ao mesmo tempo que caminha, com as mãos enterradas nos bolsos do blusão e o fecho corrido até ao pescoço. Marcámos encontro na Sala dos Correspondentes no Palácio Foz, e vamos até ao Bar 47, do outro lado da Praça dos Restauradores, em Lisboa.

Chegados ao bar onde Mussuaili terminava uma reunião, o jornalista – que tuteia a entrevistadora desde o segundo telefonema –, agiliza as apresentações à produtora e à futura apresentadora de um programa de televisão sob sua responsabilidade. Explica a razão da entrevista e ambas irrompem em elogios sobre o profissionalismo e a generosidade do entrevistado, em tom de brincadeira, que não parece questionar a sinceridade. Mantendo a descontracção, José Mussuaili já reviu as conclusões, distribui rapidamente as tarefas e acerta pormenores com a produtora.

Feitas as despedidas, a mesa renova-se de águas, um whisky com gelo para José Mussuaili e uma taça de azeitonas que o jornalista come ao longo da conversa. Mais tarde, chegarão amigos que se sentam na mesa ao lado, são informados de que a conversa está a ser gravada e fazem comentários brejeiros sobre o jornalista, que lhes responde com prontidão e graça.

José Mussuaili parece ser idealista e empreendedor, assume-se vaidoso e dedicado; aos filhos e ao trabalho. Conta a sua vida em forma de história; cria momentos de tensão seguidos pela resolução das peripécias. Gagueja por vezes e – sinal dos tempos? – José Mussuaili ainda não tem 40 anos e procura desenvolver projectos pessoais para continuar a ser jornalista.

Manifestamente “saudoso” de um tempo que considera ultrapassado; «nós somos a última classe de jornalistas solidários», afirma que há «grandes jornalistas no desemprego ou em situação precária, porque há iluminados que saíram agora das Faculdades, pagos a um preço miserável, que não percebem nada e que fazem o que os chefes lhes mandam». Na prática profissional quotidiana, não acredita na auto-regulação, nem na coragem dos jornalistas para invocar a Cláusula de Consciência.

No momento da entrevista, José Mussuaili, 39 anos, é apresentador do programa semanal “Etnias”, dedicado às comunidades imigrantes residentes em Portugal e transmitido pela SIC, colaborador da revista Caras Angola e prepara o lançamento de uma produtora televisiva em Moçambique. É separado, tem 2 filhos, nasceu em Lisboa, vive no Seixal e trabalha em Lisboa.

Vanda Ferreira