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Sofia Correia

Os jornalistas mais novos são pouco reivindicativos porque têm muito medo de perder o emprego

  • Nome: Sofia Correia
  • Data de nascimento: 06 de Outubro de 1976.
  • Sexo: Feminino.
  • Habilitações académicas: Licenciatura em Comunicação Social, variante Jornalismo, pela Escola Superior de Educação, do Instituto Politécnico de Setúbal.
  • Órgão de comunicação social em que trabalha: Desempregada.
  • Órgãos de comunicação social em que trabalhou: Jornal de Notícias e Diário de Notícias (em ambos como jornalista estagiária), Maria e Destak.
  • Data em que se iniciou na profissão: 2001.
  • Profissão dos Pais: Pai: motorista Mãe: esteticista.
  • Entrevista realizada em 29/06/06, na Sala de reuniões da sede do Sindicato dos Jornalistas, no Chiado, em Lisboa.

A entrevista foi agendada quando Sofia Correia ainda era jornalista do diário gratuito Destak, para duas semanas depois, ficando o local por escolher, «num sítio fora da redacção». A colaboração foi imediata e o encontro acontece numa manhã solarenga e quente do final de Junho, no Sindicato dos Jornalistas, para evitar o barulho dos cafés das redondezas.

Entre a marcação e o dia da entrevista, Sofia telefonou a informar que o seu contrato a prazo no Destak não fora renovado. Tinha trabalhado a tempo inteiro, durante ano e meio, e ganhava um salário mensal de 550 euros.

De aparência calma, e simultaneamente rápida e ponderada nas respostas, os olhos verdes, as pálpebras maquilhadas a cor-de-rosa claro, a condizer com a camisola de algodão de manga curta, os cabelos castanhos-claros encaracolados sobre os ombros, Sofia Correia reflecte sobre o jornalismo.

Diz entender o ofício como uma missão em nome do público, fundada nos critérios ético-deontológicos do jornalismo que garante exercer com zelo. «Não é possível não ter uma ligação afectiva a esta profissão». Nos seus estágios e trabalhos, considera ter tentado «marcar a diferença. Às vezes não dava porque caímos nos serviços rotineiros e pronto! …».

No currículo apresentado a pedido da entrevistadora, sobressaem os conhecimentos de software de produção multimédia, a par dos cursos de formação profissional do CENJOR – Centro Protocolar de Formação Profissional para Jornalistas, em que investiu depois da Faculdade. O seu projecto de final de curso foi uma revista digital sobre jornalismo.

Conta que não tem tido oportunidade para rever os colegas de Faculdade; «uns são do Norte, outros da Madeira, perdemos um bocado o contacto… Éramos para fazer um jantar agora, só que depois uns não podiam, outros estavam a trabalhar…», nem os profissionais de quem foi colega, a quem chama «os meus mestres» e que foi conhecendo durante o estágio; «às vezes encontramo-nos na rua, telefonamo-nos…».

Nos seus tempos livres, tem o hobby da fotografia. Faz yoga e frequenta conferências sobre budismo. Já no final da entrevista, admite vir a tornar-se voluntária, depois de ter conhecido o trabalho dos Médicos do Mundo e o apoio que dão aos sem-abrigo de Lisboa, a quem levam comida, roupa e cuidados de saúde básicos.

Sofia Correia, 30 anos, desempregada no momento da entrevista, solteira, sem filhos, nasceu em Oeiras e vive em Vale de Milhaços, freguesia de Corroios, concelho do Seixal, na margem Sul do Tejo.


 

Sara Meireles