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Sérgio Figueiredo

O país precisava de uma imprensa, uma comunicação social, mais actuante, mais protagonista

  • Nome: Sérgio Figueiredo.
  • Idade: 40 anos (nasceu em 1966).
  • Sexo: masculino.
  • Habilitações académicas: Licenciado em Economia pelo ISE – Instituto Superior de Economia (actual ISEG – Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa). Pós-graduado em Gestão das Comunicações e Multimédia (ISEG).
  • Órgão de comunicação social em que trabalha: Director do Jornal de Negócios e apresentador do concurso “AUDAX – Negócios à Prova” (para empreendedores com novos planos de negócio) e do programa “Balanço e Contas” (sobre macroeconomia, Bolsa e empresas), ambos transmitidos pela RTP2.
  • Órgãos/empresas de comunicação social em que trabalhou: Jornalista – O Diário (de 1989 a 1990); Semanário Económico (1990); Expresso (de 1990 a 1995).
  • Director editorial ou outras funções – Diário Económico (grande repórter, de Abril de 1995 a Fevereiro de 1996; director-adjunto, de Fevereiro a Outubro de 1996 e director, de Outubro de 1996 a Setembro de 2001); Económica SGPS (director-geral editorial, de Fevereiro a Setembro de 2001, e administrador, de 1998 a Setembro de 2001).
  • Colunista ou comentador especializado em Economia – Público (Outubro de 2001 a Agosto de 2002); Correio da Manhã (de Setembro de 2002 a Maio de 2003); Sábado (Maio de 2004 a Janeiro 2007); TSF (em 1991 e 1992, e rubrica semanal “Opinião Económica”, em 1998 e 1999), Rádio Comercial (rubrica semanal em 1996 e 1997) e Antena 1 (s.d.); RTP2 e SIC (colaborações nos serviços noticiosos, de 1996 a 2001); TVI(de 1999 a Setembro de 2001); SIC Notícias(autor e apresentador do programa semanal “Linha de Crédito” e comentador, de Outubro de 2001 a Dezembro de 2003) e RTP1 (de Março de 2005 a Janeiro de 2007).
  • Data em que se iniciou na profissão: 1989.
  • Estatuto profissional (na data da entrevista): Director editorial do Jornal de Negócios.
  • Local: Gabinete de Sérgio Figueiredo, na redacção do Jornal de Negócios, em Lisboa.
  • Data: 03.07.06.

Ler mais:

http://www.jornalistas.online.pt/noticia.asp?id=409&idCanal=406

http://www.pje.universia.pt/cv/Sergio_Figueiredo.pdf

http://www.audax.tv/Default.aspx?tabid=130

A entrevista decorre no gabinete de Sérgio Figueiredo, separado da redacção do Jornal de Negócios por uma estrutura de vidro e alumínio branco. No mesmo edifício de Lisboa, próximo da Fundação Calouste Gulbenkian, em que ficam as redacções do Correio da Manhã, do Record e da Sábado, todos meios do grupo Cofina.

A televisão mantém-se ligada, sem som, na RTPN, mas o director do Jornal de Negócios abstrai-se da transmissão da Volta à França em Bicicleta. Sobre a secretária, há pilhas de jornais e revistas – só preservada uma clareira, em frente do teclado. A parede atrás da sua secretária está decorada com folhas A4 com desenhos infantis. Junto à televisão, exibe-se o troféu prateado de uma competição desportiva. Na mesa redonda de reuniões à volta da qual nos sentamos e conversamos, há um cinzeiro de vidro, meio cheio de beatas e cinza, que não é usado durante a entrevista.

Sérgio Figueiredo foi o primeiro entrevistado a responder, afirmativamente, à mensagem de correio electrónico em que era solicitada uma entrevista de vida. Pedia mais informações e, na edição do dia seguinte, o Jornal de Negócios foi o primeiro a anunciar o estudo. A entrevistadora recordou-se entretanto que, quando no final dos anos 90, recém-licenciada e candidata a jornalista, enviou dezenas de cartas com currículos, Sérgio Figueiredo, então director do Diário Económico, foi um de três destinatários a responder, com uma carta assinada pelo próprio.

Na aparência, o director do Jornal de Negócios combina o estudante universitário; curioso e muito afável, com o jovem executivo; de camisa branca com riscas finas, verticais e azuis, as mangas arregaçadas, os óculos de aros metálicos finos e a barba escassa no final da tarde. As calças de ganga resumem o estilo.

Receptivo e directo, o seu discurso é estruturado por uma racionalidade económica, sempre expressa numa linguagem coloquial. Usa alguns termos em inglês, recolhidos da terminologia dos negócios, a par de argumentos sobre a responsabilidade social dos jornalistas. Assume um registo mais de gestor e marketeer quando interpreta a posição do jornal que dirige face aos seus concorrentes.

Acredita que ser jornalista é uma «opção política» e defende um dever para a comunicação social; o de apresentar alternativas, contrapostas às críticas ao Governo. Em paralelo, rejeita que o grupo profissional deva ter benefícios especiais no acesso à Saúde. Alonga-se a falar sobre os Sindicatos e o que considera ser a parcela de responsabilidade destes nas dificuldades de crescimento económico do país. «Eu sou muito liberal, mas o liberalismo não é uma invenção de Direita».

A entrevista não tem silêncios. Sérgio Figueiredo verbaliza o pensamento até precisar o que quer dizer. Trata a interlocutora por “tu”, sem que houvesse um conhecimento prévio, e procura inclui-la no seu discurso através de expressões como: «imagina se tu…» e «tu tens aqui…» e remata algumas frases com um «não é?…». Fala na primeira pessoa, excepto quando descreve os princípios editoriais e a lógica de funcionamento dos dois diários que dirigiu (e dirige), quando opta pelo “nós”.

Conta que a sua vida pessoal é organizada em função da família. O lazer inclui sempre as crianças e tem um fim-de-semana livre a cada dois meses. Trabalha 12 a 14 horas por dia, dorme pouco, «mas muito bem». Católico, defende a fé praticada no quotidiano.

Sérgio Figueiredo, 40 anos, director do Jornal de Negócios, colaborador da Sábado e apresentador do programa “AUDAX - Negócios à Prova”, transmitido pela RTP2 (actualização), é casado, tem quatro filhos, vive em Oeiras e trabalha em Lisboa.

Vanda Ferreira