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Pedro Coelho

Todos temos uma missão na vida. A minha é ser jornalista.

  • Nome: Pedro Coelho
  • Idade: 41 anos (29 de Junho de 1966).
  • Sexo: masculino
  • Habilitações académicas: Mestre em Ciências da Comunicação e licenciado em Comunicação Social pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
  • Órgão de comunicação social em que trabalha: SIC – Sociedade Independente de Comunicação (repórter).
  • Órgãos de comunicação social em que já trabalhou: Rádio Almansor, Folha de Montemor, Rádio Comercial, Correio da Manhã Rádio e SIC (desde 1992). Colaborações nos semanários O Independente (1991) e na revista Única, do Expresso (2006-2007).
  • Data em que se iniciou na profissão: 1988.
  • Estatuto profissional: Repórter (à data da entrevista)
    Actualização
    Pedro Coelho é editor executivo da SIC desde Setembro de 2007
  • Profissão do pai: comerciante Profissão da mãe:comerciante.
  • Local: Sala de visitas da SIC, em Carnaxide, arredores de Lisboa.
  • Data: 20 e 27.06.06

Ser jornalista é uma vocação de criança e a entrada na profissão começou a ser construída na adolescência. Em 1984, chegou à Faculdade que não lhe ensinou a fazer jornalismo, mas que o fez descobrir um caminho próprio e onde regressou, primeiro para fazer o mestrado e, no último ano, como docente. Os seus primeiros artigos foram publicados no jornal da escola secundária, no mensário de Montemor-o-Novo; a sua terra natal e também no DN Jovem. Começou a trabalhar na Rádio Comercial, mas só descobriu o que é ser jornalista na Correio da Manhã Rádio.

Agora sentado na sala de visitas da SIC, na ponta do sofá azul de tecido grosso e gasto nas esquinas, Pedro Coelho, vestido com uma camisa de xadrez azul e calças de ganga, desliga a televisão que transmitia o mesmo canal, sem som. Durante a conversa, mantém um tom de voz baixo, calmo mesmo quando se lembra que tem um compromisso profissional e precisa de chegar a Lisboa em vinte minutos. No corredor, há a azáfama de uma terça-feira à tarde. Dispara um alarme, há risos e conversas cruzadas. A agência de viagens promove destinos tropicais e, à porta do restaurante, duas raparigas angariam verbas para uma associação de médicos internacional. Já quase no final, a entrevista é interrompida, e Pedro Coelho disponibiliza-se para responder às últimas perguntas na terça-feira seguinte, no mesmo local da SIC.

«Sinto-me uma ilha», diz ao falar da empresa onde trabalha, da cidade onde vive e da terra onde nasceu. «Aqui, não prejudico a empresa, faço tudo o que me mandam, mas faço-o à minha maneira». Em Montemor-o-Novo, «é o espaço físico que mais me atrai, tenho poucas referências de pessoas lá na minha terra».

A acompanhar a voz calma, Pedro Coelho mantém um aspecto juvenil; louro, de olhos azuis, o corpo franzino e uma atitude reservada. Podia ter vinte anos, mas as rugas finas à volta dos olhos registam que é jornalista há quase duas décadas e que tem um filho de um ano e meio.

Organizado no agendamento da entrevista, combinada por SMS para duas semanas depois e confirmada pelo mesmo meio na véspera, em resposta ao pedido de lembrança do jornalista, Pedro Coelho passa com muita disponibilidade ao discurso directo. Ao longo da conversa, ouve as perguntas com atenção e às vezes assume um registo confessional ao responder. Parece prezar a oportunidade de falar de si e da sua história. Começa ou pontua as afirmações por “eu” ou com um frequente “confesso-lhe”. Parece ser, ora simples, ora estar orgulhoso do seu percurso profissional.

Tem um discurso seguro, utiliza palavras concretas, poucos adjectivos e sublinha as afirmações com “extremamente”. Para falar da profissão usa termos como “combate”, “luta”, “dever” e “missão” e admite que tudo seria melhor se houvesse mais união entre “os jornalistas”. Este grupo designa ora a classe, ora os colegas da empresa em que trabalha e na qual identifica alguns como «a nata dos que se preocupam com os problemas da classe».

Define-se em contraste com a empresa em que trabalha, mas quando fala em “nós”, refere-se à SIC. Defende e critica a empresa com o mesmo detalhe e a mesma energia, mas diz que a organização não o valoriza como entende merecer.

As suas afirmações implicam que acredita que os jornalistas têm um dever cívico e pedagógico; o de esclarecer e de corrigir as interpretações “incorrectas”.

Considera-se um moderado, avesso a todos os “ismos”, excepto quando é questionado sobre a possibilidade de um assessor voltar a ser jornalista, o que rejeita. Em questões sobre formação e ética profissional distingue a falta de princípios dos jovens de hoje da inexperiência do tempo em que começou. Na prática quotidiana, sente-se «um pouco ambivalente», aproximando-se ou afastando-se da sua agenda paralela, face «às loucuras da televisão».

As suas referências pessoais e profissionais organizam-se em torno da comunidade local, do alcance social dos acontecimentos, e do seu conceito dos meios de comunicação social como representantes dos cidadãos.

A terminar a entrevista, Pedro Coelho entusiasma-se tanto quanto a entrevistadora com o que poderia ser uma cacha: «o que eu gostava mesmo era de ser presidente da Câmara de Montemor». Imagina-se a voltar à sua terra natal, a criar um jornal, a trabalhar com associações locais e a «fazer uma vida mais de alentejano».

Repórter da SIC e docente na Universidade Nova de Lisboa, Pedro Coelho, 41 anos, é casado, tem dois filhos, vive em Carcavelos, trabalha em Carnaxide e passa os fins-de-semana em Montemor-o-Novo.

Vanda Ferreira