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Manuel Pinto

Cada vez faz mais sentido haver filtros, os que cheiram o que está a passar-se

  • Nome: Manuel Joaquim Silva Pinto
  • Data e local de nascimento: 06.03.1954, Sobrado, concelho de Valongo
  • Habilitações académicas: Licenciado em História, pela Universidade do Porto; Doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho
  • Órgão de comunicação onde trabalhou: Jornal de Noticias
  • Data em que se iniciou na profissão: 1980 (até 1988).
  • Estatuto profissional: Professor de Jornalismo e de Educação para os Media na Universidade do Minho
  • Profissão dos pais: «Artistas» de Sobrado, diz com ironia, referindo-se às actividades do pai, carpinteiro, e da mãe, costureira
  • Ver mais em:
    http://old.comunicacao.uminho.pt/doc/mpinto/index.htm

Entrevista feita na zona da Estação do Oriente, Lisboa, em 6.12.2006

Sucessivos atrasos por impossibilidades de deslocação do entrevistador a Braga levaram a que a conversa que se segue ficasse remetida para um dia em que Manuel Pinto tivesse um espaço de duas ou três horas livre na sua agenda de deslocações a Lisboa. Esse dia foi hoje. O espaço situava-se entre a chegada do comboio à Gare de Oriente, pelas 11h20, e as 14h30, hora de início da reunião no Conselho Nacional de Educação, que o trouxe à capital.

Estes pormenores são chamados à colação porque, como veremos já, mais do que condicionar, constrangeram o fluir da conversa.

Para ganharmos tempo, decidimos ficar no local mais próximo da estação – o centro comercial Vasco da Gama. A escolha não podia revelar-se mais desastrada: a música ambiente, excessivamente alta; o ruído de uma serra mecânica ou algo parecido a interromper a conversa, escassos minutos depois; o recomeço e nova interrupção pelo mesmo motivo, mais à frente.

Levantamo-nos, atravessamos o centro comercial. O gravador é posto a funcionar pela terceira vez para captar novo recomeço da conversa, 10 ou 15 minutos depois, no bar de um hotel das imediações. Donde nos levantaremos uma vez mais, agora já sob a pressão do tempo, para nos dirigirmos ao restaurante. Onde a conversa prossegue, entrecortada pela escolha do menu, pela ida ao buffet, pela interacção hoteleira («Pode escolher o pão, se faz favor?»; «E para beber, o que escolhem os senhores?»; «Está a gostar? Deseja algum acompanhamento para a dobrada?»; «A conta, por favor»).

Relatar estas peripécias significa confessar culpas próprias da parte de quem assina estas linhas. O lado errático da direcção imprimida à conversa e as repetidas interrupções só não se revelaram catastróficas por mérito do entrevistado – alguém que outra coisa não faz, há longos anos, que não seja reflectir sobre os temas da profissão que foi sua e passou a ser, oito anos depois e até hoje, objecto recorrente de estudo e investigação académica.

Adelino Gomes