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Luíz Carvalho

  • Nome: Luiz Carvalho [nome profissional]
  • Idade: Nasceu a 13 de Setembro de 1954.
  • Habilitações Académicas: Licenciado em Arquitectura pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa (1978-1979) .
  • Profissão dos Pais: Pai: Fiscal do Ministério das Obras Públicas e Comerciante (proprietário de uma tabacaria);  Mãe: Doméstica
  • Órgãos de Comunicação Social onde trabalha: Expresso
  • Órgãos de Comunicação Social onde já trabalhou: Revista Observador (1972); Primeiro de Janeiro; Tal e Qual; Revista Nova Gente; Agência SIPA Press e Associated Press (enquanto correspondente); O Jornal e Grande Reportagem (integrou equipa fundadora).
  • Data em que iniciou a profissão: Revista Observador (1972) e O Primeiro de Janeiro (1978), em colaboração.
  • Estatuto Profissional: [Em 2006, altura da realização desta entrevista] Coordenador de Arte – Responsável pela Fotografia. [Em 2008] Fotógrafo [sem funções de chefia].
  • Luiz Carvalho é casado, tem dois filhos e vive no Estoril .
  • Data da entrevista: 3 de Novembro de 2006.


O universo virtual tem destes perigos: uma leitura prévia dos posts que Luiz Carvalho regularmente edita nos seus dois blogues acabaram por influenciar a primeira imagem, algo desacertada, sobre este “fotojornalista, arquitecto e professor de jornalismo” na vida real. Luiz Carvalho ganha asas na sua versão internet. É aí que revela ser amante de “carros clássicos, motos e vespas, cinema, jazz… sexo. Charutos” e de filmes como “Blow Up” ou “O Último Tango em Paris”… Para o Perfil Sociológico do Jornalista Português, o fotojornalista só ficou mais confiante ao evocar-se um dos seus comentários em linha, lido fora daquelas quatro paredes, na tentativa de complementar a conversa: “Ah! Conhece os meus blogues?! Dá-me imenso gozo fazê-los. Aquilo é muito giro! Sou viciado na net”.
Esta entrevista durou cerca de duas horas dentro da sala de reuniões do primeiro andar da redacção Expresso — rodeada pelas capas da revista Única, ali expostas em destaque — numa espécie de garantia de que tudo decorreria em ambiente seguro. Entre fotografias.
As perguntas sobre rotinas jornalísticas ou as transformações recentes em curso no seu jornal intimidavam-no: “Não era suposto falarmos mais sobre mim?” Luiz Carvalho estava, naquele momento, praticamente de regresso à fotografia, depois de nove meses passados “no andar de cima” [3º piso] do semanário, em posição de chefia. Tinha sido o primeiro editor multimedia da Sojornal [empresa responsável pelas publicações do grupo Impresa] e coube-lhe a tarefa de planear a transição do Expresso para o meio internet, dando os primeiros passos na estratégia empresarial da Impresa em implementar uma forte cooperação entre as diferentes marcas do grupo. Este “embaixador da convergência”, como se auto-denomina, acabava de ser substituído num cargo que lhe deu “imenso gozo” por “manifesta incompreensão” dos pares: “Estive deprimido… chorei mesmo” ao abandonar aquele lugar onde, “modéstia à parte, protagonizei uma revolução”. Luiz Carvalho coordenou colegas da área da escrita e dedicou-se a tempo inteiro à concepção de conteúdos para podcasts, blogues, alertas, sounbites “sem ter os meios megalómanos à disposição”, como deseja frisar. Tem a certeza que “ ‘lá em cima’ não perceberam bem aquilo que pretendia fazer. Acabaram por vencer outros estratégias e planos para o meio internet. De regresso à fotografia , deseja apenas agora “ser um bom editor” e investir “em fotógrafos de grande qualidade, oriundos de diversas tendências artísticas”. Em 2008, voltou à condição de fotojornalista tout-court.
Luiz Carvalho foi um dos primeiros fotojornalistas licenciados em Portugal.  O “senhor arquitecto”, como era conhecido pelos directores dos jornais nos anos 1970, não aceita pactuar com a “salgalhada profissional” que diz permanecer no interior da maior parte das redacções portuguesas. Considera mesmo ser indispensável a intervenção urgente de consultores para que as redacções entrem na linha.

Sara Meireles