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Liliana Monteiro

Entre «a fúria do próximo noticiário» e «a outra vida»

  • Nome: Liliana Monteiro
  • Idade à data da entrevista: 26 anos
  • Local de nascimento:
  • Habilitações académicas: Pós-graduação em Jornalismo Judiciário, Licenciatura em Ciências da Comunicação (FCSH, Universidade Nova de Lisboa)
  • Órgão de comunicação social em que trabalha: Rádio Renascença
  • Órgãos de comunicação social onde já trabalhou: Rádio Renascença
  • Data em que se iniciou na profissão: 2003
  • Estatuto profissional: Redactora do quadro
  • Profissão dos pais: Pai: Funcionário público Profissão da mãe:

  • Entrevistada em 12 de Junho de 2006

Ocupa com naturalidade o seu lugar na grande sala do Sindicato dos Jornalistas onde aceitou ser entrevistada. No caminho desculpou-se pelo atraso, mas no tom sereno e seguro que manteve ao longo de todo o diálogo. Agrada-a, adivinho no silêncio atento, o elenco dos objectivos da investigação e dos temas a abordar. Será aquele o oásis de reflexão que procurava no deserto de urgência constante de alimentar os seus sonhos e, mais prosaicamente, «a antena», num ritmo escravo de uma unidade de medida precisa - a hora? Ei-la sentada no intervalo de uma longa corrida marcada por um ritmo sem concessões de espécie alguma, que começou na licenciatura em Ciências da Comunicação, passou por um estágio na Rádio Renascença, uma pós-graduação em Jornalismo Judiciário e que está à beira da integração no quadro daquela emissora.

À medida que o diálogo evolui, intriga - em alguém com escassos três anos de profissão - o pragmatismo, a concisão com que sabe de si, da redacção e dos colegas com quem trabalha. Dentro da redacção, refugia-se no feitio recatado que nas suas palavras a caracteriza. Fora dela, se o trabalho deixar, porque este está acima de tudo, tenta escapar a todos os que a rodeiam durante o dia. Mas depara-se com amigos, família e namorado pouco compreensivos em relação às suas más horas, as longas horas que quotidianamente leva produzir cinco minutos de antena.

Uma ideia atravessa a entrevista e marca, segundo ela, a profissão em que escolheu embarcar: é a ideia de controlo; «e quando digo controlo não é apenas se o trabalho está a ser ou não bem feito». Não. É uma noção alargada e tentacular da palavra, que inclui a ideia de pressão. Como se os passos dos jornalistas, e portanto os seus próprios, fossem hoje pautados por um controlo e pressões múltiplos. Poderíamos por começar pelo parágrafo anterior, ou seja, o controlo dos amigos e familiares sobre a permanente incerteza dos horários. Depois, o controlo deontológico da academia, que lhes inculcou normas e prescreveu condutas. O auto-controlo da sua própria disciplina de trabalho. O controlo da exigência de qualidade num ambiente muito competitivo. O controlo editorial na redacção. O controlo da sociedade, que dedica aos media uma atenção crescente e generalizada, assumindo por vezes a forma de representações sociais negativas. A pressão dos visados directos nas notícias.

Entrevista realizada a 12 de Junho de 2006

Pedro Sousa