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Judite de Sousa

Sem ilusões sobre as regras do jogo

Judite de Sousa
  • Nome: Judite Fernanda Jesus da Rocha e Sousa
  • Idade à data da entrevista: 45 anos. Nascida a 4 de Dezembro de 1960.
  • Habilitações académicas: Licenciado em História pela Faculdade de Letras do Porto.
  • Órgão de comunicação social em que trabalha: RTP
  • Órgãos de comunicação social onde já trabalhou: RTP.
  • Data em que se iniciou na profissão: 11 de Junho de 1979
  • Estatuto profissional: Jornalista do Grupo 6.
  • Profissão dos pais:
  • Pai: Empregado bancário
  • Mãe: Doméstica
  • Entrevistada em 5 de Junho de 2006

Define-se como “uma ‘fossona’, aquele tipo de pessoas que está sempre disponível e que vai a todas, que nunca põe limitações”. O género “agora não posso, só posso à tarde” ou “só posso de manhã”, não é de todo o seu registo, e foi exactamente o que se passou com a marcação da nossa entrevista. Apesar das suas múltiplas actividades – o programa “Grande Entrevista”, na RTP1, as crónicas para o JN, as aulas que dá no Instituto Superior de Comunicação Empresarial – Judite de Sousa acede de imediato à entrevista e agenda-a para os dias seguintes. Não hesita, também, na sugestão do local, o Hotel Continental, a dois passos da antiga sede da RTP, na Avenida 5 de Outubro – e então naturalmente frequentado pelos quadros da televisão pública. À hora combinada, 10 da manhã, corresponde ao pedido de disponibilizar algumas horas, sem prejudicar demasiado o tempo de trabalho.

Chega com 4 minutos de atraso, pelos quais pede desculpa com um sorriso. De calças pretas e blusa também preta, rendada, sandálias de salto alto, penteada e maquilhada, está pronta a seguir dali para o trabalho. Depois de uma chamada atendida no telemóvel, prescinde deste e fica totalmente disponível para a entrevista. Tem um riso fácil e esforça-se por clarificar ao máximo aquilo que pensa, começando muitas vezes as respostas por “Vamos lá ver”. Procura também a cumplicidade com a interlocutora, apoiada em inúmeros “Não é?” e “Estás a ver?”, que são também, como a repetição da palavra “eu”, marcas do discurso, acompanhado de gestos. Uma única pergunta a põe pouco à vontade, a relativa ao salário: invoca “um princípio de confidencialidade na relação contratual com a empresa”. Reconhece, no entanto, que “é um salário elevado para a média do que se pratica em Portugal” – que fica a dever-se, em grande parte, a receber um complemento de funções especiais, “à semelhança de outros jornalistas da RTP que desenvolvem um trabalho jornalístico que a empresa considera de grande exigência e grande exposição pública”.

O complemento surgiu, explica, a partir dos anos de 92, 93, em razão do aparecimento da SIC e da TVI, quando a administração então em exercício na RTP entendeu ter de remunerar acima da média as pessoas consideradas indispensáveis à empresa, para que não mudassem para as outras televisões. “Obviamente que, ao mesmo tempo, a empresa ficou com uma margem de manobra para pedir a essas pessoas uma total disponibilidade, quer de horários, quer de serviços prestados”, esclarece, e acrescenta: “ Portanto, houve um encontro de vontades”.

É talvez o facto de se saber “indispensável” que lhe dá a segurança que aparenta – e com que, por exemplo, põe termo à efusão de uma das empregadas do Hotel Continental, contente de nos rever, explicando-lhe, com um sorriso a desculpar a falta de disponibilidade, que estamos a gravar. Ou talvez a segurança seja nela um traço de carácter, patente ao longo da sua carreira.

Diana Andringa