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José Estevão

“Para mim, jornalistas eram o Norberto Lopes, o Mário Neves, um Carlos Ferrão…”

  • Nome: José Estêvão Santos Jorge
  • Data e local de nascimento: 1923, Lisboa
  • Habilitações académicas: Curso Complementar do Comércio (equivalente ao 2º ciclo liceal)
  • Órgão de comunicação social em que trabalha: Reformado
  • Órgãos de comunicação social em que trabalhou:Diário de Lisboa, Jornal do Comércio, A Bola, Vitória, Diário Nacional, A Voz, A Capital, Diário de Notícias, O Dia, Dez de Junho
  • Data em que se iniciou na profissão: 1939 (com 16 anos). Carteira profissional pelos 23 anos
  • Profissão dos pais: pai jornalista, mãe doméstica

Entrevista feita em casa do entrevistado, na Reboleira, arredores de Lisboa, em 18.10.2006

Recebe-me em casa, um quinto andar de um prédio da Reboleira, Amadora. Rádio sintonizado na Antena 2 («Também ouço às vezes a Clássica, do Montijo, mas não é assim tão boa»), Beethoven em fundo. Quase três horas de conversa. Ao sabor das recordações, que tendem já a esfumar-se nas brumas de uma vida ligada aos jornais durante mais de cinco décadas. Os nomes de camaradas de profissão nem sempre vêm. Por vezes também os anos falham. Porque o sabe, precisamente, pediu-me que aparecesse a meio da manhã, a melhor altura do dia para a conversa se tornar proveitosa. Mandará mais tarde, escrita à máquina (não usa computadores), uma carta com dados curriculares mais rigorosos e que fornecem um melhor enquadramento cronológico de algumas das histórias.
Leio-lhe as «recomendações gerais» do guião que elaborámos, explicando uma vez mais, e agora com maior detalhe, ao que venho. A entrevista começa, não sem que lhe transmita a honra que é entrevistar o sócio número 1 do Sindicato dos Jornalistas («Sim, desde que morreu o Norberto Lopes, sou eu o mais velho», confirma, como quem sente o peso da responsabilidade).
Deter-nos-emos longamente logo no primeiro item lançado para a mesa: a data de início da profissão. A história que tem para contar, a este propósito, é a primeira de uma série de que sairá composto, julgo, um autêntico fresco do jornalismo e do jornalista português de meados do século passado. Em particular do mundo das redacções da imprensa diária, onde profissionais de cultura rudimentar se cruzam com jornalistas que falam latim ou conhecem sânscrito. Um mundo em que redactores prestigiados eram, simultaneamente, funcionários públicos ou quadros de grandes empresas, e ser Presidente do Sindicato de Jornalistas dava direito a uso e porte de armas, lugar na Câmara Corporativa e respectiva «avençazinha», três vezes superior ao ordenado de redactor.
Agarra cada pergunta como pretexto para mergulhar em novas incursões pela memória. A muitas das quais, apesar de aparentemente a latere, não tive a coragem de eliminar. Para proveito meu e, espero, do leitor.

Adelino Gomes