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José António Saraiva

Os jornalistas passam frequentemente de espectadores a actores

  • Nome completo: José António Saraiva
  • Nome profissional: José António Saraiva
  • Idade: 58 anos
  • Sexo: Masculino
  • Habilitações Académicas: Licenciado em Arquitectura pela Faculdade de Belas-Artes de Lisboa, em 1973.
  • Órgão de comunicação social em que trabalha: Director do “Sol”.
  • Órgãos de comunicação social em que trabalhou: Director do “Expresso” durante 22 anos. “Antes, colaborei em quase todos os jornais portugueses, inclusivamente no “Diário de Notícias”.
  • Profissão dos pais: Pai: Professor universitário; Mãe: Professora do Instituto Comercial de Lisboa.
  • Data da Entrevista: Agosto de 2006.

Chegou pontualmente à hora marcada para o almoço, ponto de partida para uma longa conversa que se estenderia tarde adiante. O “Expresso” seria uma memória muito presente , consumada uma ruptura após 22 anos de permanência à frente do jornal, com um percurso que somou muitos fieis, atraindo , também, não poucas hostilidades.

Pressente-se que, embora não seja essa a proposta desta entrevista,  o projecto do “Sol” o mobiliza sem que nunca pareça um ajuste de contas. Fala de Balsemão com respeito, mas adivinha-se nele um apreciável capital de queixa.

Conhecido por ter uma personalidade reservada, mantendo distâncias, percebe-se que José António Saraiva está nos antípodas do seu sucessor que mandou pôr a sua secretária no meio da redacção do “Expresso”.

Quem o procurou alguma vez  sentiu que o seu secretariado era cuidadoso e exercia um “filtragem” apertada e não se pense que, internamente, o acesso ao gabinete do director era mais fácil.

Descendente de uma linhagem com prestigio nas Letras e na História, observa-se em José António Saraiva um homem determinado, com uma auto-confiança e um saber de si que poderão ser confundidos, por vezes, com um culto de personalidade. Cultiva um medido isolamento , como se aí residisse o seu verdadeiro  núcleo de reflexão.   

Coisa rara: começou a sua carreira de jornalista “por cima”, como subdirector do “Expresso”. Um feito seguramente invulgar em qualquer jornal e, por maioria de razão, para quem vinha de um ateliê de  arquitectos.

Diniz de Abreu