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Joaquim Furtado

A nossa Universidade foi o turbilhão social

  • Nome: Joaquim da Silva Furtado
  • Idade à data da entrevista: 58 anos. Nascido a 20 de Abril de 1948.
  • Habilitações académicas: 7º ano do Liceu.
  • Órgão de comunicação social em que trabalha: RTP (com contrato para realizar uma série documental que iniciara antes de entrar na situação de reforma em que encontra)
  • Órgãos de comunicação social onde já trabalhou: Rádio Universidade, Rádio Clube Português, Rádio Renascença, Diário de Lisboa, RDP, RTP.
  • Data em que se iniciou na profissão: 1966 (Rádio Universidade)
  • Estatuto profissional: Jornalista do Grupo 6.
  • Profissão dos pais:
  • Pai: Bombeiro
  • Mãe: Doméstica
  • Entrevistado em: 9 de Novembro de 2006

O perfeccionismo leva-o, por vezes, a uma lentidão exasperante, que a qualidade do trabalho final normalmente compensa. A ponderação confunde-se, por vezes, com a hesitação. E, no entanto, foi sem grande hesitação que, na madrugada de 25 de Abril de 1974, se ofereceu para ler o comunicado que anunciou ao país o golpe de Estado dos capitães cansados de guerra. O que talvez outros, habitualmente mais rápidos a decidir, não tivessem ousado. O tempo era de opressão e Joaquim Furtado nem sequer tinha militância política. Mas vivia na Censura e ofereciam-lhe a liberdade. Será em nome do mesmo princípio que, 24 anos depois, abandonará o cargo de Director de Programas e Informação da RTP, argumentando uma interferência da Administração numa decisão editorial. A demissão acrescentará mais uns pontos à sua fama de incorruptível. Foi pouco depois que começou o trabalho que o tem ocupado ao longo dos últimos anos: uma investigação sobre a guerra colonial. Que o que era para ser um programa a emitir em 25 de Abril de 1999 se tenha transformado numa série de mais de duas dezenas de programas, com mais de duzentas entrevistas efectuadas e centenas de horas de imagens visionadas, reflecte bem as características acima apontadas ao autor. Furtado teme, aliás, que ao ver a série ninguém se aperceba do trabalho que lhe subjaz.

Foi a falar desse projecto – na altura em fase de montagem, hoje já exibido pela RTP 1 e editado em DVD – que começou a nossa conversa, na cantina da RTP-Meios, nos velhos Estúdios do Lumiar. Por diversas vezes, Joaquim Furtado sublinhou que pretendia que a série não fosse apenas mais um conjunto de programas sobre um tema diversas vezes abordado, mas sim o retrato, desapaixonado e objectivo, do que foram esses anos nas diversas frentes, enquadrado no que se passava no Mundo ao redor. Um trabalho que só o tempo e os meios – raríssimos nas televisões portuguesas – que lhe foram concedidos pela RTP e uma grande capacidade de organização poderiam permitir levar a bom porto.

Diana Andringa