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João Mesquita

Uma ideologia para o jornalismo

  • Nome: João Bernardo Bigotte da Costa de Mesquita
  • Nascimento: Junho 1957, Coimbra (Faleceu em 12/03/2009)
  • Habilitações académicas: Ensino Secundário (Liceu Passos Manuel, 1978)
  • Situação e estatuto profissional: Desempregado desde Outubro 2003; CP 743
  • Órgãos de comunicação social onde trabalhou :Notícias da Tarde (01/04/1982 – nd); Jornal de Notícias (01/02/1985 – 15/04/1088), Semanário (01/051988 – nd/09/1989), Público (01/10/1989 – 31/08/1993), Diário As Beiras (05/09/1993 – nd/03/1994), O Independente (01/10/1994 – nd/10/2000), A Capital (01/03/2002 – nd/10/2003)
  • Data em que se iniciou na profissão: Março 1979, no jornal Voz do Povo
  • Profissão dos pais: Pai - Juiz de Direito; Mãe - Doméstica




O local para a nossa conversa dificilmente poderia ser outro que não esta casa comum – o Sindicato dos Jornalistas, a cuja direcção presidiu de 1989 a 1992. João Mesquita é um exemplo do jornalista que chegou à profissão, após o 25 de Abril, pela via da militância política. É também exemplo do jornalista qualificado e experiente que as redacções portuguesas menosprezam. Aos 49 anos e meio, à data da entrevista, carrega mais de três anos de desemprego e, como admite, vê poucas possibilidades de voltar a uma redacção.
Guarda excelente memória de acontecimentos e seus protagonistas. Continua frontal e crítico. A sua visão dos problemas do jornalismo dos anos 80 e 90 é esclarecedora, inclusive do presente. Fala-nos de como os jornalistas intentaram, nessa época, «uma nova prática jornalística, um jornalismo pós-Censura e pós-PREC». E de como o poder se assustou, quando ouviu falar numa ideologia da profissão, e logo «pensou mais na domesticação dos jornalistas do que na sua responsabilização».
Era João Mesquita presidente da direcção sindical quando um grupo de profissionais lançou um movimento para a criação da Ordem dos Jornalistas. O Sindicato promoveu um referendo aberto a todos os profissionais, que se pronunciaram maioritariamente contra tal hipótese. João Mesquita continua a considerar a Ordem «completamente desadequada à profissão», apesar das exigências ética e de cidadania que lhe são inerentes. É essa visão do jornalismo socialmente empenhado que o leva a co-responsabilizar os jornalistas, na generalidade, pela crise actual do jornalismo. «As redacções pensam pouco, agem ainda menos» – afirmação que nos deixa, para reflexão.

*João Mesquita faleceu em 12 de Março de 2009, de um cancro de pulmão diagnosticado poucos meses após esta entrevista.

Data da entrevista: Janeiro 2007

José Luis Fernandes