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Graça Franco

O jornalismo deve lutar pela verdade e pela justiça

  • Nome: Graça Franco
  • Idade: 49 anos (31.12.1957)
  • Sexo: Feminino
  • Habilitações académicas: Licenciada em Economia e pós-graduada em Ciências da Informação pela Universidade Católica de Lisboa.
  • Órgãos de comunicação social em que trabalha: Rádio Renascença e Público.
  • Órgãos de comunicação social onde já trabalhou:Diário de Notícias (de 1981 a 1986), Rádio Renascença (jornalista, desde 1987, com interrupções e, desde 1997, directora-adjunta da direcção executiva); O Independente (de Maio a Dezembro de 1988 [integrou equipa fundadora do semanário]), TVI (em 1992 e 1993 [integrou a equipa fundadora da televisão]), Público (de 1989 a 1998 [integrou a equipa fundadora do diário], foi jornalista e colunista, com interrupções) e Invista (colunista em 2002).
  • Data em que se iniciou na profissão: 1981
  • Estatuto profissional: Directora-adjunta da direcção de informaçãoda Rádio Renascença e colunista no Público (desde 2003).
  • Profissão dos Pais: Pai: desenhador-projectista, designer (diplomado pelo IADE); Mãe: funcionária pública.
  • Local: Redacção da Rádio Renascença, no Porto.
  • Data: 14.07.06.

Loura, de olhos azuis, pele muito branca e traços finos, Graça Franco é a figura do cuidado, quando transmite as médias de entrada nas Faculdades portuguesas de Arquitectura listadas no Público, aberto sobre a sua secretária, e depois se desculpa pelo atraso no início da entrevista. «Tinha mesmo que fazer este telefonema».

Na redacção da Rádio Renascença no Porto – no sétimo andar de um prédio dos anos 70 –, na Rua Sá da Bandeira, os ares condicionados fazem esquecer os 32 graus da tarde de Julho. Os estores corridos até meio deixam entrar a luz.

Separada das escadas e da recepção por uma porta de correr de madeira clara, a redacção é pequena, ocupada por menos de 10 secretárias. A de Graça Franco fica ao fundo da redacção, num canto à esquerda, colada à de outro colega. É ladeada por uma janela à direita e abre para um gabinete mais pequeno. A secretária de Graça Franco é ocupada por um computador ladeado por duas pilhas de jornais, alguns económicos, e de documentos organizados em pastas de papel de capa transparente. Numa prateleira estreita, num plano superior à secretária, há uma pequena aparelhagem. Durante a entrevista, a rádio mantém-se ligada, num volume baixo, e numa estação que transmite a Rádio Renascença.

De aspecto aparentemente frágil, Graça Franco parece encarar a vida com humor – responde às perguntas com disponibilidade, fala num tom calmo e às vezes quase que sussurra, mas ri-se à gargalhada com frequência. Analisa os lapsos humanos com pragmatismo e compreensão. Em paralelo, cultiva um rigor lato nas suas interpretações e, por vezes, a mordacidade.

Revela com clareza a sua orientação de vida e as suas causas de cidadã; Graça Franco assume-se católica, defensora da família e da justiça social. Em termos políticos, identifica-se com a social-democracia e com o socialismo-cristão, «que, em Portugal, não está nem no PS, nem no PSD, e não tem nada a ver com a democracia cristã». Na profissão, e uma das suas «causas de cidadania é dizer às pessoas que, quando lhes dão um número, não o devem engolir, devem pensar».

Nas respostas em que lhe são pedidas caracterizações de situações ou personalidades, transmite mais aspectos positivos que negativos. Cultiva a auto-estima, mas também a reserva sobre si mesma. É quase sempre optimista nas suas interpretações, considera-se uma pessoa de bom senso e parece preferir a diplomacia. Quase no fim da entrevista, simula o discurso preparado de uma figura pública, firme e divertida na fuga à questão sobre as suas opções de voto nas Eleições Presidenciais.

«O voto é secreto, posso simplesmente dizer que fui votando… pois, em quem me parecia na altura melhor defender os interesses do povo».

Quando questionada sobre a gestão da sua carreira, conclui ter dado prioridade «a uma família atípica [cinco filhos entre os quatro e os 17 anos], que se desloca…». A descrição das fases da sua carreira (e os momentos em que se afastou dela) é sempre feita em associação à família; ao nascimento dos filhos e às permanências no estrangeiro para acompanhar o marido. Em termos profissionais, justifica as mudanças de meio, pelo contexto em que a actividade jornalística decorria e pelo que designa da sua «síndrome da fundação» (de dois jornais; O Independente e o Público, e da TVI, a segunda estação de televisão privada portuguesa).

A conversa com Graça Franco é feita de um discurso decidido, organizado com ponderação e rigoroso na escolha dos termos; fluente, num português muito cuidado, quase aristocrático. Parece estar consciente dele e divertir-se em praticá-lo.

No balanço da sua vida e da sua carreira, guarda memórias felizes, a esperança de ainda «fazer muitas coisas – eu gosto muito de escrever» e um tom de gratidão. «A única coisa de que eu tenho pena na vida foi de ter deixado de dar aulas».

Directora-adjunta de informação da Rádio Renascença (actualização) e jornalista do Público, Graça Franco tem 48 anos, vive desde Setembro de 2005 na Póvoa do Varzim, trabalha na Baixa do Porto e desloca-se a Lisboa todas as semanas.

Vanda Ferreira