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António Perez Metelo

Cada um no seu casulo

  • Nome: António Perez Metelo
  • Ano de nascimento: 1948
  • Profissão dos Pais: Pai: Contabilista ; Mãe: Professora
  • Habilitações académicas: Licenciatura em Economia
  • Data em que se iniciou na profissão: 1978
  • Meios em que trabalhou: RTP, Expresso, Sic, DN, Tvi






Ao tratar as três horas de conversa gravada, o entrevistador viu-se confrontado com a necessidade de reduzir e reordenar o discurso do tempo real, expontâneo e efervescente, sem outra saída senão a tentativa de reconstruir uma lógica de leitura do texto escrito, que supostamente respeitasse a marca identitária da oralidade. Nada tão pessoal como a fala, seja quem for o elocutor. Para o jornalista de rádio ou de televisão, a palavra é a matéria em que molda o pensamento e revela a alma.

Dar-se conta desta tónica alertou o entrevistador-editor para a necessidade de preservar a marca distintiva da oralidade de quem fala e a tomada de posse do seu pensamento e das palavras faladas. Não há sínteses que possam resumir as palavras intraduzíveis de quem revive uma história singular. O leitor saberá distinguir a expressão original contida na maior parte das frases e, paralelamente, as formulações hipertextuais da escrita.

A palavra do entrevistado impõe-se duplamente, na sua formulação original e na imputação de autoria, sendo que esta não representa apenas um entendimento social, pois se funda e legitima na identificação do autor com o texto finalmente conseguido, afinal mais assumido e contido numa leitura “self” de reflexividade do que no fluxo expontâneo do tempo real.

A cumplicidade entre o entrevistado e o entrevistador explicam a abordagem participada de algumas temáticas profissionais – em vez da parada de pergunta/resposta – tornando-se natural que as palavras de ambos se “pisem” e se interpenetrem, à semelhança de algumas histórias de vida, em que ambos se cruzaram de perto. Dito o que, apresente-se o protagonista e a sua circunstância.

Avelino Rodrigues