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Anabela Fino

Avante - "Um jornal de provecta idade"


  • Nome: Anabela Fino
  • Idade à data da entrevista: 55 anos.
  • Local de nascimento: Fronteira
  • Habilitações académicas: Frequência de licenciaturas em Antropologia e em Filosofia (Univ. Nova de Lisboa)
  • Órgão de comunicação social em que trabalha: Avante
  • Órgãos de comunicação social onde já trabalho: Avante
  • Data em que se iniciou na profissão: 1974
  • Estatuto profissional: Chefe de Redacção adjunta
  • Profissão dos pais: Pai: Quadro administrativo; Mãe: Funcionária pública

  • Entrevistada em 14 de Fevereiro de 2007

Fala ao ritmo que pensa e o raciocínio rápido leva-a por vezes a atropelar frases, ou melhor, a substitui-las por outras, mais claras ou mais importantes. Sente-se nesta celeridade uma urgência de pensar, neste caso de repensar o sentido de toda uma carreira integralmente ao serviço do histórico jornal do PCP e portanto de um jornalismo de convicções assumidas. Se o jornalismo militante era norma nos anos em que entrou no Avante (logo a seguir ao 25 de Abril), deixou de o ser com o correr das décadas de regime democrático, e daí esta urgência, a de agarrar e afirmar conceitos profissionais que contradizem as concepções predominantes nos dias de hoje.

No seu rosto, os cinquenta e poucos anos são notoriamente vinte anos mais trinta, ou vinte anos mais uns quantos, porque os vinte anos, idade em que entrou para o Avante e em que se deu o 25 de Abril, permanecem na jovialidade com que olha ou no vigor ainda irreverente com que expõe os pontos de vista. Como se a cartada que se jogou naquele ano de 1974 estivesse destinada a durar uma vida inteira.

Os tempos mudaram profundamente e, no entanto, o agendamento do Avante permanece hoje claramente centrado nos conflitos laborais e no lado sombrio da economia capitalista globalizada: basta folhear o jornal (através de cliques de rato, que é a forma moderna de folhear) para o constatar - acentua esta ideia quando nos diz que "em muitos aspectos, o Avante é o único jornal que fala daquelas lutas". Mas não é só no jornal que Anabela Fino se dedica às questões laborais. Ela é dirigente de longa data do Sindicato de Jornalistas, ou seja, logra dedicar-se à "defesa de direitos que são legítimos dos trabalhadores" não apenas num plano simbólico, como redactora, mas também na prática, acompanhando os problemas dos jornalistas. É portanto uma militância profusa, a que dedica toda a vida profissional.

Pedro Diniz de Sousa