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Afonso Cautela

Jornalismo e ecologia

  • Nome: Afonso Joaquim Fernandes Cautela
  • Nascimento: Fevereiro 1933, Ferreira do Alentejo
  • Habilitações académicas: Curso do Magistério Primário (Faro, 1955)
  • Órgão de comunicação social em que trabalha: Aposentado (1996)
  • Órgãos de comunicação social onde trabalhou: República (01/04/65 – 30/07/1966; 01/06/1967 – 31/12/1968), Vida Mundial, O Século (01/11/1968 – n.d./02/1977)), O Século Ilustrado, Portugal Hoje, France Presse, A Capital (01/10/1982 – 09/09/1996) – estes os principais, muitos outros ocasionalmente
  • Data em que se iniciou na profissão: 01/04/1965 (Sócio SNJ n.º 430; sócio SJ n.º 107, à data da aposentação)
  • Estatuto profissional: Jornalista IV Grupo (1990); CP 47
  • Profissão dos pais: Pai – Comerciante de vinhos; Mãe – Doméstica
Data da entrevista: Janeiro de 2007

Afonso Cautela chega rigorosamente à hora marcada, em passos serenos. Escolhêramos a sede do Sindicato dos Jornalistas como local para a nossa conversa. Reformado e viúvo, morador em Paço de Arcos toma diariamente o comboio até Lisboa. Almoça num restaurante macrobiótico situado na Baixa, após o que trata de um ou outro assunto e pela meia tarde regressa a casa. Continua magro, como sempre o conhecemos. A marca dos 74 anos, que completará alguns dias após esta entrevista, nota-se nas rugas e no grisalho do cabelo e do seu permanente bigode. Mantém-se jovial. A expressão séria, por vezes quase carrancuda, a abrir-se subitamente em sorrisos irónicos e entusiasmos.
Falará abertamente, sem peias, sobre tudo o que é questionado, embora evitando reabrir cicatrizes ou melindrar alguém. Explicará como de professor primário passou a jornalista, nos anos 60. Descreverá como era então o jornalismo, onde chegou com «o vezo da crítica», como diz, «incentivado pelas leituras exaustivas que fiz dos ensaios de António Sérgio». Lembrará como os jornais portugueses começaram a tratar das questões ecológicas, no que ele próprio foi pioneiro.
Foi jornalista e militante ecológico e não viu nisso inconveniente. Continua a defender que o jornalista tem o direito de militar pelas suas ideias e a expressar as suas opiniões, em textos de comentário. No jornalismo que se pratica nesta primeira década do século XXI, identifica duas influências negativas: a do «poder tecnocrático» e a do «catastrofismo».
O jornalista de causas, a par do militante ecológico, enfrentou muitas incompreensões e esgrimiu em polémicas várias. Afonso Cautela não renegou as suas ideias e não guarda ressentimentos. Diz-nos, com imensa serenidade: «A minha filosofia, neste momento, é: gratidão, o oxigénio da alma».

Data da entrevista: Janeiro 2007

José Luís Fernandes