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Emídio Rangel

O jornalista não é um missionário mas deve observar códigos éticos

Emídio Rangel
  • Nome: Emídio Arnaldo Freitas Rangel
  • Idade à data da entrevista: 59 anos.
  • Nascido a:  21/09/1947 
  • Habilitações académicas: Licenciado em História pela Faculdade de Letras de Lisboa
  • Órgão de comunicação social em que trabalha: Cronista no  Correio da Manhã 
  • Órgãos de comunicação social onde já trabalhou: Rádio Clube da Huíla, Rádio Comercial de Angola, RDP, TSF, SIC, RTP.
  • Data em que se iniciou na profissão: 1964
  • Estatuto profissional: Free Lance
  • Profissão dos pais:
    • Pai: Operador de máquinas de perfuração
    • Mãe: Doméstica
Entrevistado em 9 de Outubro de 2006

Depois de ter desempenhado diversas funções, de jornalista de base a Director Geral da SIC e, depois, da RTP, Emídio Rangel vive, à data da entrevista, uma paragem que lhe deixa alguma amargura:  a crónica semanal no Correio da Manhã e a pós-graduação em Produção de Televisão, que assegura no ISCSP, sabem naturalmente a pouco a este homem que, no arranque da SIC, trabalhava 365 dias por ano. Há, é certo, um convite para a criação de uma estação de televisão – a primeira privada – em Angola, desafio que, a concretizar-se, lhe trará, de novo, a necessária produção de adrenalina. Embora afirme não ser dado a angústias e só pensar no dia seguinte, é evidente o desconforto de sentir-se à margem. «Tenho 59 anos e muita energia», repete, lastimando a forma como, no país, se condena à inacção tanta gente que ainda teria muito para dar, assim tivesse oportunidade.

Acedeu ao pedido de entrevista ao primeiro contacto, foi rápido a encontrar espaço na agenda e teve o cuidado de telefonar a pedir desculpa por chegar atrasado ao encontro, que decorreu no escritório que ocupa num 5º andar da Rua Rodrigo da Fonseca, numa firma gerida pela filha mais velha, Ana, de que falará ao contar a saída de Angola, em 75. Para lá da filha, fala com entusiasmo de uma outra habitante do andar, a gata Pixel.

Entusiasmo, aliás, é o que não lhe falta. Contagiante. Percebe-se, sem dificuldade, que galvanize as equipas com que trabalha.  

Se a sua capacidade profissional é poucas vezes posta em dúvida, as suas actuações foram diversas vezes polémicas, dando lugar, inclusive, a processos judiciais. As críticas ferozes aos adversários e uma auto-estima que roça a arrogância garantem-lhe adversários.

Entrevistado e entrevistadora, embora nunca tenham trabalhado juntos, conhecem-se há vários anos. Travaram lutas comuns pelos direitos dos jornalistas, tiveram públicas discordâncias sobre questões deontológicas quando Rangel dirigia a SIC e a entrevistadora era presidente da direcção do Sindicato dos Jornalistas; mantêm leituras diferentes dos factos que então os opuseram.  A entrevista decorreu, no entanto, com a maior cordialidade.

Diana Andringa